Jogo do Moinho: o desenho de jogo mais reproduzido da historia

Gravado em templos egipcios, tabuleiros gregos, castelos medievais e ate em bancos de catedrais europeias, o Jogo do Moinho (Nine Men's Morris) e um dos padroes de jogo mais espalhados de toda a Antiguidade e Idade Media.

Poucos desenhos de jogo aparecem em tantos lugares diferentes, em tantas epocas diferentes, quanto o do Jogo do Moinho: tres quadrados concentricos ligados por linhas retas. Esse padrao simples foi gravado em pedra por egipcios, gregos, romanos e ate por monges medievais entediados - e ainda e jogado hoje.

Um desenho antigo e persistente

Uma das evidencias mais citadas de um tabuleiro semelhante ao do Jogo do Moinho vem de um entalhe encontrado no templo de Kurna, no Egito, associado por alguns pesquisadores a uma epoca tao antiga quanto 1400 a.C. - embora a datacao exata desse achado especifico ainda seja discutida entre especialistas, ja que o desenho de linhas e quadrados concentricos e simples o suficiente para ter surgido de forma independente em culturas diferentes.

O que e mais solido historicamente e a presenca abundante do jogo no mundo greco-romano e, mais tarde, na Europa medieval, onde o padrao de tres quadrados aparece entalhado em uma quantidade impressionante de superficies de pedra.

Como se joga

Cada jogador comeca com nove pecas (dai o nome em ingles, Nine Men's Morris). Na primeira fase, os jogadores se revezam colocando suas pecas nos pontos de intersecao do tabuleiro; depois que todas as pecas estao no tabuleiro, eles passam a move-las ao longo das linhas para pontos vizinhos vazios.

O objetivo e formar um 'moinho' - tres pecas alinhadas em fileira reta - o que permite ao jogador remover uma peca do adversario do tabuleiro. Vence quem reduzir as pecas do oponente a menos de tres, ou quem bloquear todos os movimentos possiveis do adversario.

Gravado em pedra por toda a Europa

Um dos aspectos mais curiosos do Jogo do Moinho e onde os tabuleiros aparecem: entalhados nos bancos de pedra dos claustros de catedrais inglesas, como Canterbury, Westminster e Norwich, provavelmente feitos por monges ou trabalhadores durante momentos de folga ao longo da Idade Media.

Tabuleiros semelhantes tambem foram encontrados em castelos, em navios vikings e em sitios romanos por toda a Europa - tornando o Jogo do Moinho um dos jogos mais amplamente documentados fisicamente de toda a Antiguidade e Idade Media, mesmo sem grandes tratados escritos sobre ele.

Um jogo resolvido pela matematica - e citado por Shakespeare

Em 1993, o pesquisador Ralph Gasser conseguiu 'resolver' matematicamente o Jogo do Moinho usando computadores, provando que, com jogadas perfeitas dos dois lados, a partida sempre termina em empate - um resultado parecido, em espirito, com o que aconteceu depois com o Oware africano.

O jogo tambem deixou uma marca cultural duradoura: William Shakespeare faz referencia direta a ele em 'Sonho de uma Noite de Verao' (Ato II, Cena I), quando um personagem descreve campos abandonados dizendo que 'o moinho dos nove homens esta cheio de lama' - prova de que o jogo era familiar o suficiente ao publico ingles do seculo XVI para servir de referencia poetica.

Hoje o Jogo do Moinho sobrevive com nomes diferentes em cada pais - Mill em ingles, Muhle na Alemanha, Trilha no Brasil - e continua sendo ensinado como porta de entrada para o raciocinio estrategico, justamente por ter regras que cabem em um paragrafo e partidas que raramente passam de quinze minutos. Poucos passatempos conseguiram unir monges medievais, marinheiros vikings e criancas de recreio em torno do mesmo desenho de tres quadrados.

Você sabia?

  • Tabuleiros do Jogo do Moinho foram encontrados entalhados nos bancos de pedra dos claustros de catedrais inglesas como Canterbury e Westminster Abbey.
  • William Shakespeare menciona o jogo em 'Sonho de uma Noite de Verao', descrevendo campos abandonados e cobertos de lama.
  • Em 1993, o pesquisador Ralph Gasser provou matematicamente que, com jogadas perfeitas, o Jogo do Moinho sempre termina empatado.

Fontes e leituras

  • Ralph Gasser, Solving Nine Men's Morris (Computational Intelligence, 1996)
  • H.J.R. Murray, A History of Board-Games Other Than Chess (1952)
  • William Shakespeare, Sonho de uma Noite de Verao, Ato II, Cena I
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